Advogada do Paraná é alvo de operação contra fraude de mais de R$ 3 bilhões em ICMS
CIRA-SP faz operação contra fraudes no ICMS Uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) cumpre, na manhã ...
CIRA-SP faz operação contra fraudes no ICMS Uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) cumpre, na manhã desta quarta-feira (15), mandados de busca e apreensão em Londrina e Cambé, no Norte do Paraná. Um desses alvos é a advogada Mayra de Paula, apontada pela investigação como integrante de um dos principais núcleos do esquema. As ordens judiciais são contra investigados por um suposto esquema de venda de créditos falsos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado. Segundo a investigação, o esquema pode ter sonegado mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Mayra de Paula é apontada pela investigação como integrante de um dos principais núcleos do esquema. Segundo o CIRA/SP, ela é sócia de Nelson Wilians nas supostas fraudes. Em Cambé, também é alvo de buscas a empresa De Paula Advogados e Consultoria Jurídica, ligada à advogada. Em nota ao g1, a advogada Tânia Raquel Ribeiro, disse que "não existe, e jamais existiu, qualquer vínculo societário entre Mayra e o advogado Nelson Wilians". Veja a nota completa abaixo. Registro do cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão. Gaeco Há ordens judiciais a serem cumpridas no escritório Nelson Wilians Advogados e em endereços de outras pessoas físicas e jurídicas relacionadas à investigação. Até o momento, não houve denúncia ou condenação dos investigados. Além das cidades do Paraná, a polícia cumpre 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto. Não há mandados de prisão. Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários Divulgação Como funcionava o esquema Segundo a investigação, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes. O ICMS é a principal fonte de receita dos governos estaduais. É um tributo estadual que incide sobre a venda de produtos, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicações. Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras participavam do esquema, segundo a investigação. Prospectavam clientes, montavam os contratos e elaboravam pareceres jurídicos para justificar a operação perante o Fisco. Além do núcleo ligado ao Grupo Nelson Wilians, a apuração também mira agentes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, por exemplo, supostos direitos de massas falidas ou decisões judiciais antigas de desapropriação. Para forjar aparência de legalidade, a organização recorria a práticas como: uso indevido de normas administrativas ou de decisões judiciais sem trânsito em julgado para justificar os créditos; apresentação de despachos que seriam falsos, atribuídos a auditores fiscais que não os assinaram; venda de créditos sem relação real com o ICMS, vinculados a empresas sem atividade; uso de "cessões" ou "gerenciamentos" simulados para formalizar o negócio ilícito. O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. O comitê afirma que a apuração separa quem agiu de forma consciente do proveito ilícito de quem pode ter sido enganado de boa-fé. A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas. Leia também: São José dos Pinhais: Cliente usa IA para simular barata em lanche e pedir reembolso Investigação: Mãe que planejou morte de funcionária de abrigo também é suspeita de ameaçar outros três servidores Plantação: Empresários são condenados a pagar R$ 6 milhões por desmatarem terra indígena O que diz a defesa de Mayra? "Em resposta às recentes matérias veiculadas na imprensa e às manifestações do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), o escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica e sua sócia, Mayra Fahur de Paula, vêm a público para restabelecer a verdade dos fatos e reafirmar seu compromisso com a ética e a transparência. Diante das narrativas que buscam distorcer a realidade, apresentamos os seguintes esclarecimentos: Inexistência de Vínculo Societário: Esclarecemos que não existe, e jamais existiu, qualquer vínculo societário entre Mayra Fahur de Paula e o advogado Nelson Wilians, ou entre seus respectivos escritórios. A relação mantida foi uma parceria técnica pontual para a prestação de serviços específicos, já encerrada. O De Paula Advogados é uma banca autônoma, com governança e estrutura independentes. Delimitação da Atuação Técnica: A participação do escritório De Paula Advogados em parcela ínfima das operações em questão se deu estritamente no âmbito técnico-jurídico, como um dos elos de uma complexa cadeia de serviços que foi idealizada, estruturada e comercializada por terceiros. A tentativa de atribuir responsabilidade integral ao nosso escritório distorce a realidade e busca fazer ignorar a atuação dos demais e principais envolvidos. Presunção de Inocência: Lamentamos profundamente a exposição midiática precoce de investigações que ainda se encontram em fase preliminar. O direito à ampla defesa e ao devido processo legal são garantias constitucionais que devem ser respeitadas, evitando-se julgamentos antecipados que prejudiquem a reputação construída ao longo de anos de atuação idônea. Transparência e Cooperação com as Autoridades: O escritório e sua sócia estão à inteira disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborando ativamente para a correta apuração dos fatos. Acreditamos que a verdade prevalecerá por meio da análise técnica e isenta dos documentos e provas. Confiança na Justiça: Temos plena confiança de que, no foro adequado, nossa conduta profissional, pautada pela boa-fé e pela legalidade, será comprovada. Todas as medidas judiciais cabíveis para a defesa de nossa reputação e para a correta responsabilização de todos os agentes envolvidos já estão sendo tomadas", disse a advogada Tânia Raquel Ribeiro. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Norte e Noroeste.